Introdução:
Mas, por que é necessária uma introdução nesse capítulo? O que mudou? Nesse momento do livro a mais importante informação que precisa ser compreendida é a Lei de Reserva de Mercado. Sem essa compreensão, com certeza, surgirão dúvidas referentes ao que era permitido produzir na época e não será possível entender o verdadeiro efeito dos clones no mercado brasileiro.
Na época do lançamento do Atari, em 1983, devido a legislação em vigor no Brasil, era proibida a importação de equipamentos eletrônicos, principalmente na área de informática, categoria onde eram enquadrados os videogames. Os computadores e videogames só poderiam ser comercializados no país se tivessem fabricação em território brasileiro pois isso era uma forma de “incentivo ao desenvolvimento da indústria brasileira”.
Fabio Santana:
“Até hoje existe essa mentalidade de proteger o mercado interno com impostos, não só no Brasil. Nos EUA, por exemplo, eles barram a importação de algodão do Brasil para favorecer o algodão americano. Mas isso atrasou a tecnologia no Brasil ao invés de melhorar. A gente não tinha tecnologia e nem formação de profissionais para construir uma equipe que se equiparasse ao que vinha dos EUA e do Japão”.
Este livro não tem a intenção de dizer se a Lei de Reserva de Mercado era uma lei correta ou não, o fato real é que a prática dessa lei permitiu a proliferação dos clones do Atari (assim como os clones dos pinballs) e isso tornou o mercado brasileiro de games, na época, o mais sortido em termos de consoles diferentes e com os mais diferentes jogos também, embora todos compatíveis entre si.
Agora sim… capítulo 4.
Se engana quem acha que o primeiro console compatível com o Atari foi o console oficial da Polyvox, o oficial e mais famoso. O primeiro console a rodar jogos de Atari e com fabricação nacional foi o Top Game, da Bit Eletrônica, mas temendo processos a empresa mudou o tipo de conector do cartucho e, evidentemente, isso não deu certo pois a mudança impedia o uso de cartuchos do Atari. Só os jogos da Bit Eletrônica funcionavam. Algum tempo depois foi lançado um adaptador para permitir o uso dos cartuchos usuais do Atari, mas a empresa já havia perdido o espaço para outros clones.
Mas, o primeiro console realmente compatível com o sistema Atari foi o da Polyvox, certo? Errado. Uma empresa chamada Sayfi Eletrônica lançou o “TV Computer System 2600-A”, conhecido também como Dactari, em maio de 1983. Note que o nome é uma clara referência ao “Video Computer System 2600” da própria Atari. Com uma baixa carga de consoles no início, a Sayfi se aproveitou do momento, já que os concorrentes lançaram seus consoles somente no segundo semestre de 1983. Algum tempo depois a Sayfi mudou de nome e se tornou a Milmar Eletrônica, lançando o Dactar (agora sem o i no fim do nome) e com um design um pouco diferente, porém mais parecido com o Atari original. Meses depois a própria Milmar lança o Dactar II, idêntico ao Dactar porém com uma parte metálica e também o ultra-raro Dactar Maleta, que ficou conhecido como “Dactar 007”. Foi uma idéia bem interessante fazer um console embutido numa maleta e provavelmente a idéia partiu das maletas de madeira ou couro que eram vendidas para a colocação do console juntamente com controles e cartuchos.

Dactar: Segundo console da Milmar e muito parecido com o Atari 2600 original. Início da clonagem dos consoles Atari no Brasil.

Maleta ficou conhecida entre colecionadores do mundo todo pela originalidade e era um item quase sem valor no Brasil.
O reinado da Sayfi não durou muito e logo a Dynacom, uma das pioneiras no negócio da fabricação de cartuchos, lançou o seu console compatível com o Atari. Chamado de Dynavision, o console tinha um design diferente dos padrões Atari colocando as entradas para os controles na parte frontal do console e utilizando-se de um circuito que impedia o chiado do televisor enquanto você trocava os cartuchos (nessa época os consoles eram ligados por RF e utilizavam, normalmente, o canal 3 dos televisores). Outra novidade da Dynacom foi o controle Dynastick, mais resistente e anatômico, além de contar com dois botões de tiro (mesma função) e as tão faladas ventosas, para fixar o controle em algumas superfícies.

O design diferenciado do Dynavision foi bem aceito na época e mantido em futuros consoles da empresa.
O Dynavision estreou na Feira de Utilidades Domésticas, a UD, de 1983 e naquela época a famosa feira servia apenas como um meio de demonstrar os produtos que chegariam ao mercado.
No segundo semestre de 1983, os videogames começaram a virar uma febre real no país. A Polyvox, braço da Gradiente, que era uma marca especializada em aparelhos de som, entra na briga assinando um contrato com a Atari Corporation e lança no Brasil, oficialmente, o Atari 2600 Video Computer System.

Banners de propaganda do lançamento do Atari 2600 da Polyvox. Marketing agressivo com comerciais de TV sendo exibidos em horário nobre.
Como a Polyvox tinha a Gradiente como base, a campanha publicitária do Atari 2600 foi massiva: comerciais nas grandes emissoras, anúncios em diversos jornais e panfletos nas lojas eram os meios mais utilizados e em agosto de 1983 o lançamento do Atari 2600 foi feito. No lançamento do console a Polyvox lançou também 28 cartuchos, todos os jogos da Atari, localizados (caixa e manual em português) e com o acabamento impecável como os cartuchos americanos. Os cartuchos da Atari eram mais caros por serem de melhor qualidade e por serem os oficiais, mas a grande produção fez com que os valores ficassem competitivos e a distribuição não foi comprometida.
O Natal de 1983 prometia e o mercado brasileiro não decepcionou os fabricantes de consoles e jogos naquele ano. Dizem que se a produção tivesse sido maior, tudo teria sido vendido. E em 1983 o mercado estava apenas começando.
Em 1984 os consoles compatíveis com o Atari se consolidaram no Brasil, os fabricantes estavam prontos para lançar novos jogos e novos fabricantes estavam estreando com seus consoles.
A CCE (Comércio de Componentes Eletrônicos) estreou com o Supergame CCE VG-2800. Considerado por muitos o melhor de todos os clones do Atari lançados no país, o Supergame tinha controles muito parecidos com os do Atari 2600, mas com um botão amarelo e maior que o original e o console não tinha o padrão Atari no design, era totalmente diferente do original, porém copiado de outro console americano, o Gemini, da Coleco. Juntamente com o console a CCE lançou uma série de 9 jogos que ainda não haviam sido lançados no Brasil e um deles acompanhava o console, Mr. Postman, conhecido entre as crianças da época como “O Carteiro”.

Supergame da CCE também tinha design diferenciado mas contava com controles muito parecidos com os do Atari original.
Os cartuchos da CCE tinham label colorido e eram diferentes em cada jogo. Todos vinham dentro de uma caixa branca que era mais um diferencial. Numa segunda série de jogos, a CCE lançou mais 22 cartuchos e desta vez com jogos mais conhecidos por aqui. A nova série tinha um label padronizado com mudança apenas do texto com o nome do jogo e o código do cartucho.
Mas a onda dos clones não parou por aí… outros fabricantes logo produziram novos consoles e um deles foi a Dismac, uma fábrica de calculadoras e computadores compatíveis com o Apple II. A Dismac lançou o VJ-9000 com uma novidade: os controles do tipo paddle. Esses controles funcionavam de forma diferente e serviam para alguns jogos específicos e como nem o Atari original vinha com os paddles, isso se tornou um atrativo. A Dismac também lançou alguns jogos e com a diferença na tradução do título, algumas vezes até engraçada. Pitfall! se chamava Pantanal!, Freeway ficou conhecido como BR-101 e algumas outras pérolas.
Algum tempo depois a Dismac lançou o mesmo console com o código VJ-8900 e esse vinha sem os controles paddles e a justificativa para a época era plausível: manter o preço do console já que a inflação era muito forte na época.
Ainda nessa época, outro item que merece destaque são os cartuchos, tão importantes quanto os consoles e com episódios muito particulares na época.
Os cartuchos eram, no princípio, importados. A maioria vinha dos EUA e de países europeus e eram trazidos nas viagens de negócios e de turismo que algumas pessoas faziam. Mas não levou muito tempo para que os engenheiros brasileiros descobrissem como copiar os cartuchos e, assim, aparecerem as primeiras peças nacionais.
Duas empresas, Dynacom Eletrônica e a Canal 3 Indústria e Comércio já estavam pensando no mercado e começaram a fabricar os cartuchos antes mesmo de produzirem seus consoles, com a intenção de abastecer o mercado de consoles importados. Era fim do ano de 1982 e só alguns privilegiados tinham os consoles importados ainda. Eles estavam enxergando o futuro.

Pac-Man fabricado pela Dynacom. Cartuchos de qualidade, lançados antes mesmo de qualquer videogame compatível com o Atari chegar ao Brasil.

Soccer ou Futebol? Label laranja no jogo da Canal 3. Uma das pioneiras no lançamento de jogos para Atari no Brasil.
Em 1983 a Polyvox coloca no mercado 600 mil cartuchos. Um número absurdo de peças para um mercado que estava começando e a qualidade dos cartuchos da Polyvox era EXATAMENTE a mesma dos cartuchos originais da Atari vindo em caixas plásticas, com manuais coloridos e label idêntico ao americano. Eram mais caros, mas ainda assim eram mais baratos que os importados. Na época ficou claro que tudo que se referisse a videogames, no Brasil, e que fosse lançado no mercado iria vender absurdamente.

Cartucho original da Polyvox: maior qualidade e maior preço. Labels diferentes, caixa e manual em português.
E, em 1984, a indústria dos games cresce com mais de 20 novos fabricantes de cartuchos além daquelas que também fabricavam consoles. Empresas como a Digivision, Shockvision, Imagic, Supergame, Digitel, Digimax, Zirok, e diversas outras, perceberam a ascensão do mercado e começaram a lançar seus jogos. Muitas inovações apareceram e cartuchos com dois jogos, quatro jogos e até oito jogos, começaram a ser lançados. Os jogos extras podiam ser selecionados de diversas maneiras: por chaves no próprio cartucho, passando o dedo em cima de um contato no próprio cartucho ou utilizando-se do botão reset do console. Porém, para baratear os custos com os cartuchos e para ter preço competitivo de mercado, muitas empresas não colocavam seus cartuchos em caixas, não colocavam manuais e muitas começaram a fazer os contatos com níquel ao invés do ouro utilizado nos contatos dos cartuchos da Polyvox. Mas isso não significava que os cartuchos produzidos eram ruins. A maior parte tinha acabamento e funcionamento perfeitos, muitos funcionam até hoje, e a chegada dos cartuchos nacionais trouxe uma variedade de jogos muito grande exatamente por conta dos outros fabricantes, já que a os cartuchos da lançados pela Polyvox eram apenas os jogos da Atari Corp.

Variedade de marcas e séries dos cartuchos não impediam a diversão. Na verdade, ninguém ligava se o cartucho era de alguma marca desconhecida desde que ele funcionasse.
Os jogos da Activision (empresa fundada por Nolan Bushnel assim que saiu do comando da Atari), Imagic, Parker Bros, CBS, Fox, Coleco e etc. eram produzidos por outras empresas, embora algumas lançassem jogos da Atari.
A Polyvox, percebendo a concorrência crescer no mercado, foi protagonista de uma das histórias mais interessantes da época: em uma ação de marketing, a empresa fez uma inserção comercial na novela “Transas e Caretas”, exibida pela Rede Globo entre janeiro e julho de 1984, onde um dos personagens da novela dizia que “somente os cartuchos originais eram recomendados para utilização no seu videogame e que os outros cartuchos, que tinham os contatos banhados a níquel, estragavam o console”. Algumas empresas não gostaram da afirmação, pois a maioria tinha cartuchos com contatos banhados a níquel, e um processo foi aberto para que a Polyvox provasse que os cartuchos estragavam o videogame. Nada foi provado e, além do fato da Atari ter aparecido em uma novela, nada mais relevante é lembrado desse caso.
Porém, por causa do grande número de cartuchos e dos baixos preços de algumas marcas, o Atari conseguiu alcançar a popularidade que teve por aqui. É possível afirmar, sem medo de erro, que se somente os jogos da Polyvox tivessem sido comercializados por aqui, o Atari não teria alcançado o sucesso que fez no Brasil.
No Brasil, ainda existiu um fenômeno único no mundo todo: as séries dos cartuchos, conhecidas como “Série Ouro” e “Série Prata”. Os cartuchos se encaixavam em uma dessas duas categorias e, os da Série Ouro custavam mais caro. Ainda surgiram as Séries Diamante e Especial, mas isso em apenas um ou outro jogo, normalmente os mais proucurados (Decathlon, por exemplo).
Uma razão técnica justificava tal prática: os cartuchos da Série Prata eram jogos de 2 e 4Kb e os da Série Ouro eram os de 8Kb. Os jogos de 8Kb, possuía um Circuito Integrado de memória mais caro e necessitava de uma placa com circuito impresso maior para a sua construção, resultando em mais trabalho também na montagem dos cartuchos. Ou seja: o maior custo de produção obrigou os fabricantes a criarem estas séries.
O ano de 1984 acabou ótimo para todos os fabricantes de consoles e cartuchos e, provavelmente, 1984 foi o melhor ano para os videogames no Brasil em todos os aspectos.
Em 1985 a febre do Atari continuava e as vendas ainda eram bem altas, um pouco menores do que em 1984, mas ainda altas. E, uma nova mania se deu entre os jovens que já possuíam cartuchos para seus consoles: as “trocas” de jogos. Na verdade eram empréstimos que aconteciam entre amigos da rua, da escola e com conhecidos de conhecidos. Na verdade, o importante era pegar um jogo que não se tinha jogado ainda e emprestar um que a outra pessoa também não tivesse jogado.
Porém existiam aqueles amigos que tinham os jogos mais desejados por todos e aí era onde a barganha acontecia: “Te empresto dois jogos por esse…” era uma frase que sempre precedia a “Te empresto três!” e assim sucessivamente. Ao mesmo tempo em que os jovens ficavam vidrados nos jogos, desenvolviam a amizade, a cooperação e a barganha. Era até lúdico fazer as trocas.
Mas os fabricantes não estavam parados e novos acessórios chegavam até as lojas com certa freqüência. Um acessório de qualidade fantástica, mas que não foi muito difundido, foi o Supercharger, da Canal 3. O acessório era encaixado no Atari e reproduzia os jogos através de um leitor de fitas cassete. O videogame se comportava exatamente da mesma forma, como se estivesse lendo um cartucho.
O Supercharger era uma cópia do homônimo americano, fabricado pela Starpath, porém era melhorado: o aparelho da Starpath tinha 6Kb de memória enquanto o da Canal 3 tinha 8Kb e permitia que os jogos mais sofisticados e populares funcionassem através das fitas. Juntamente com o aparelho a Canal 3 vendia 10 fitas já gravadas de jogos, era um excelente pacote.
Ainda existiram alguns outros na mesma linha com o Comp K7, da Splice e o Digigame K7 da Digitel, ambos permitiam jogar apenas jogos de 4Kb, mas tinham o preço como principal atrativo. E também existia o Game K7, que permitia passar dados de cartuchos para as fitas, que eram regraváveis. Porém esses aparelhos começaram a cair em desuso logo após o seu lançamento por um simples motivo: não eram compatíveis entre si. Claro que a dificuldade de se rodar um jogo também contava: enquanto em um cartucho você só precisava colocar o mesmo no console e ligar, nas fitas era necessário esperar o carregamento e por inúmeras vezes o processo acabava em um erro de leitura, que fazia toda a espera começar novamente. Tudo isso fez com que os cartuchos voltassem a ser o carro-chefe das vendas.

Supercharger, da Canal 3. Fitas cassete e toca-fitas eram necessários para jogar os jogos que custavam até “80% menos” conforme anúncio da época.
Ainda nos acessórios, temos também um outro que fez sucesso: o teclado. Esses teclados eram formados por um conjunto de um cartucho, que era maior que os cartuchos normais e dois cabos que serviam para ligar nas duas entradas dos joysticks, além de um terceiro que fazia a conexão com o teclado. O Atari virava um computador. Era possível programar em BASIC – linguagem bastante comum para os computadores da época – além de poder desenhar e compor pequenas músicas. O aparelho mais famoso dessa linha foi o Dactar-Comp, da Milmar Eletrônica, que tinha até propaganda na televisão.
Esse acessório era bastante interessante e conseguiu um pouco de sucesso pois a intenção dos fabricantes era atualizar o Atari para que os mesmos fossem comprados no lugar dos computadores que estavam ficando cada vez mais baratos e acessíveis. Na prática nem tudo era perfeito: o sistema era lento, o teclado não era funcional e o hardware do Atari era limitado e não permitia muitas coisas. E, o foco dos jogadores era um só: JOGAR!
Obviamente os fabricantes queriam manter o interesse no Atari e aproveitar o momento e, em 1985, novos cartuchos começaram a aparecer e todos eles trazendo jogos mais sofisticados: He-Man, Porky’s e HERO chegaram ao mercado brasileiro neste ano e os fabricantes começaram a diversificar ainda mais os jogos: a Polyvox começou a lançar jogos da Activision e colocava o selo de “Cartucho Original”, com o case da Activision inclusive. Os manuais perderam a qualidade inicial e vinham em folha única com impressão azul. Os custos estavam sendo cortados para maximizar o lucro.
Ainda em 1985 um outro fabricante coloca no mercado um novo console compatível com o Atari: a Microdigital lança o Onyx Jr. A principio a empresa havia pensado em lançar o Onyx sendo compatível com o Colecovision, mas decidiu fazer um console compatível com o Atari pensando no mercado brasileiro.
O design do Onyx era diferente dos demais, era mais compacto e tinha uma cor verde-escuro. Além dessas diferenças contava com um botão nunca antes visto em um console compatível com o Atari, o botão de PAUSE, que paralisava o jogo no momento em que era pressionado e voltava a ação quando era pressionado novamente. Era uma nova ferramenta para os consoles, mas ainda assim o Onix Jr. não teve muito sucesso por ter saído tardiamente e pelo fato de que seus controles eram pouco anatômicos. Claro que a Microdigital também lançou cartuchos, e o design dos mesmos seguia o do console: os cartuchos eram verdes.

Onyx Jr.: Na cor verde, e chamando para a guerra, chegou tarde ao mercado e não trazia novidades suficientes para se estabilizar no mercado.
No Natal de 1985 as vendas ainda eram boas, mas o mercado dava os primeiros sinais de retração. O Atari estava perdendo força.
Em 1986 o mercado começa a esfriar. O Atari ainda tinha forças e novos jogos ainda eram fabricados e lançados. A maior causa para o fim da era do Atari foi, com certeza, o lançamento dos computadores com gráficos e sons melhores que os do Atari. O MSX e os micros TK90X e TK95 tinham excelentes jogos e outras funções que o Atari não tinha. A palavra convergência nem era usada nessa época ainda, mas já dava sinais de vida.
Os fabricantes foram parando com a fabricação dos jogos e alguns até fecharam as portas. Outros começaram a fabricar cartuchos para videogames mais modernos ou mudaram o ramo de atividade. Fato é que os fabricantes de consoles pararam de fabricar jogos e consoles de Atari. A Milmar ainda tentou lançar o Memory Game, console compacto muito parecido com o Atari Jr. da Atari americana, com jogos na memória. A Dynacom começou a produzir o Dynavision 2, compatível com o Nintendo Enterteinment System (NES), mesmo tendo lançado posteriormente o Megaboy, console Atari portátil que emitia sinal RF para a TV via antena e funcionando sem fios.
A Polyvox foi a última empresa a lançar um console compatível com o Atari, o Atari 2600-S, que tinha botões diferentes, fonte interna, sem a chave de cor e com joysticks fixos. Os cabos do joystick saiam pela parte frontal do console e facilmente notava-se a baixa qualidade em comparação aos consoles já lançados pela empresa.
A Polyvox parou de fabricar o Atari em 1988 e colocou fim ao ciclo do Atari no Brasil. A indústria dos videogames no Brasil teve aprendizado e desenvolvimento tecnológico gigantescos e muitos adultos, que não jogam videogames hoje, guardam na memória todos aqueles momentos de suas infâncias.
O Atari teve sua era de ouro e abriu espaço para que novos consoles chegassem ao mercado. Dois novos consoles concorreram ao reinado do Atari, o Master System e o NES.
Curiosidades:
- Os cartuchos ficaram conhecidos também por fitas, por causa das fitas cassete que eram utilizadas em alguns acessórios para rodar os jogos.
- Alguns fabricantes faziam alterações nos códigos binários dos jogos de modo que a “marca” do jogo fosse alterada para a do fabricante do jogo e para que essa informação aparecesse na tela do jogo.
- Encontravam-se jogos até em lojas de eletrônica dos bairros.
- No Centro de São Paulo, camelôs trocavam jogos com quem queria pegar jogos novos. Claro que eles cobravam uma diferença em dinheiro. Era o começo do mercado de usados no Brasil.
- Alguns jogos só saíram aqui no Brasil, como é o caso de Pizza Chef, da CCE e de Xevious, também da CCE.
Principais jogos:
HERO: Um dos títulos mais populares do Atari tinha uma qualidade gráfica fantástica para a época e usava os controles de forma soberba. Como só existia um botão de ação no controle, utilizou-se de comandos no controle para fazer ações. Colocar o direcional para cima fazia o personagem voar e colocar para baixo soltava dinamites para explodir as paredes. Na minha opinião é o MELHOR jogo de Atari de todos os tempos.
Fábio Santana:“Você voava, você tinha o deslocamento da tela, você deixava bombas… foi um jogo mais complexo do que os que a gente estava acostumado. Então eu pirei com HERO!”

Hero é um dos melhores jogos lançados para o Atari. Inovador em diversos aspectos, é um dos jogos que deixa os fãs saudosos até hoje.
Adventure: Considerado o primeiro jogo do gênero ação-aventura, trazia elementos inclusive de RPGs. Você controlava um quadradinho, representando um personagem, e deveria encontrar o caminho pelos labirintos e enfrentar dragões. Marcou também por ser o primeiro jogo da história a ter um “Easter Egg” (conteúdo escondido). Um item escondido no jogo permitia que o jogador encontrasse o nome do criador do jogo, até então essa era uma prática proibida pelas softhouses.

Castelos, calabouços, labirintos e dragões. A temática de Adventure se passava em tempos antigos. Primeiro jogo de ação-aventura de que se tem notícia.
Pitall:Vendeu mais de 4 milhões de cópias no mundo todo, a aventura de Pitfall Harry tinha objetivo de fazer mais pontos em 20 minutos de jogo. Muitos falavam de um final que consistia em chegar até um banco e sobre um possível tiroteio, mas era só história que rolava entre a molecada.

Pitfall foi um dos jogos mais vendidos do Atari. O jogo fez tanto sucesso que chegaram até a inventar finais para o jogo.
Enduro: O primeiro jogo de corrida que tinha contadores, embora não fossem de velocidade, você tinha como objetivo ultrapassar um determinado número de carros em um ciclo de “um dia” de corridas. Foi outro jogo que diziam ter um final que nunca existiu.

Enduro foi o primeiro jogo verdadeiramente de corrida e com objetivos. Chegar mais longe que os amigos era praticamente uma obrigação.
River Raid: O “Jogo do Aviãozinho”, como ficou conhecido, era um dos jogos mais famosos e desafiadores do Atari. Após algum tempo jogando, mesmo decorando a posição e os movimentos dos aviões inimigos, era praticamente impossível passar de algumas fases.

























